
“Uma peça importante”
Depois de o conhecermos de forma estática, no passado mês de Setembro, regressámos a Barcelona, mais precisamente a Sitges, para finalmente conduzir o mais familiar dos Cupra, o Terramar. Será que conjuga o dinamismo típico da marca, com a faceta familiar que pretende oferecer?
Essa foi a nossa “missão” em terras espanholas…
A eletrificação é um caminho que será uma realidade em alguns anos, a não ser que exista um retrocesso nesse processo, o que justifica o empenho da Cupra em continuar nessa direção. No entanto, o Terramar é um produto eletrificado, mas não totalmente elétrico, com as suas motorizações a conjugarem um motor térmico com assistentes ou motores elétricos.
Segundo os responsáveis da marca, a gama Terramar será bastante fácil de entender. Em Portugal, o modelo contará (por enquanto) com o 1.5 eTSI de 150cv aliado a uma transmissão DSG de sete relações e duas propostas híbridas plug-in, com 204 ou 272cv no caso e-Hybrid VZ.
Desta forma, o Cupra Terramar assume um papel mais familiar, seja nas motorizações, mas também pelas dimensões. O Terramar é 68mm mais comprido, 24mm mais largo e 47mm mais alto que o Formentor, o que prometeu, desde logo, mais espaço habitável no seu interior.
Em termos estéticos, o modelo que assenta na plataforma MQB Evo conta com linhas modernas e desportivas, com inspiração no Tavascan, o novo 100% elétrico da marca, contando igualmente com uma dianteira de “família”, como a apresentada pelos renovados Leon e Formentor, e um logo posterior iluminado.
No seu interior contamos com vários detalhes estéticos que colocam o modelo numa boa posição face à sua concorrência em termos de design e qualidade, graças a bons materiais, assim como uma elevada componente tecnológica. O Terramar estreia o seletor de transmissão como utilizado em outras propostas do grupo, como no Tiguan ou Superb, por exemplo, o que possibilita a existência de mais e maiores espaços de arrumação na consola central. Os bancos do tipo bacquet das unidades testadas contavam com um perfeito equilíbrio entre o conforto e o apoio em curva.
Atrás existe um espaço ligeiramente superior ao Formentor, já que a distância entre eixos não é muito maior que esse que é o best-seller da marca (+2mm). No entanto, existe a possibilidade de deslocar longitudinalmente os bancos da segunda fila, o que permite aumentar a capacidade da bagageira dos 400 para os 490l, no caso do Terramar equipado com motorizações híbridas plug-in.
Ao volante
Mesmo sendo este um modelo mais familiar, não aguentamos na altura de decidir em que chave pegar. Passo a explicar: para além das motorizações que estarão disponíveis de início em Portugal, existe uma outra equipada com o motor 2.0 TSI de 265cv, a mais dinâmica e que foi aquela que nos “calhou”. Ou talvez tenha sido a que “fizemos para calhar”.
A unidade era a edição limitada America’s Cup (que em Portugal contará com a motorização PHEV mais potente) e que conta com elementos distintos, bem como a pintura Enceladus Grey Matte, que confere ao modelo uma imagem mais desportiva.
Com 265cv e um binário máximo de 400Nm, é normal esperar performances mais entusiasmantes, mais ainda quando vemos na ficha técnica que os 100km/h chegam em menos de 6s depois do nosso arranque.
Ainda assim, esse entusiasmo consegue ser ao mesmo tempo serenado por um comportamento dinâmico são, mas um conforto mais presente, com um bom trabalho feito pela Cupra no que diz respeito às suspensões. O Terramar conta com amortecedores hidráulicos progressivos (DCC), em algumas versões. Como opcional, o modelo pode contar com travões de maiores dimensões, assinados pela Akebono, com 375mm.
Muito do nosso trajeto foi por autoestrada e aqui pudemos desde logo constatar que o modelo está, uma vez mais, bem afinado e equilibrado, nunca se demonstrando “seco” para os passageiros. Os vidros duplos ajudam a uma maior insonorização do habitáculo, assim como aumentam a sensação upmarket deste modelo, algo importante no segmento onde se insere.
Quando as curvas chegam, o Terramar é competente, não se notando tão focado quanto o Formentor. Mais uma vez, clientes diferentes, ambições diferentes. Mas nunca se espera uma reação adversa ou fora do que poderíamos esperar de um Cupra, nem mesmo durante uma volta ao Autòdrom de Sitges–Terramar, inaugurado em 1923 e que ainda conta com o seu piso original. Ou seja uma verdadeira “prova de fogo” para o conforto e dinâmica.
No caso do PHEV, a grande vantagem vai para os seus consumos reduzidos, mas, sobretudo, pela autonomia elétrica que pode ascender aos 121km e que permite um carregamento rápido de até 50kW.
Preços e chegada a Portugal
No que diz respeito aos preços, a gama Cupra Terramar começará nos 43.218€ para a versão equipada com a motorização mild-hybrid 1.5 eTSI e 150cv. Os plug-in terão preços a começar pouco acima dos 52 mil euros para a variante com 204cv e 56.635€ para a versão VZ, com 272cv.
O modelo, desenhado e desenvolvido em Barcelona, será produzido na fábrica da Audi em Györ, na Hungria. Começará a ser entregue aos clientes já no mês de Novembro.
Contamos ter o modelo connosco para um Teste Completo em estradas nacionais, em breve.